Somos Europeus

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Guilherme Pinto, presidente do Efus, reage aos ataques terroristas que tiveram lugar em França, durante a semana do 07 de janeiro.

É com choque e consternação que experienciámos estes ataques na França, resultando nas mortes de 17 pessoas, durante a semana do 07 de janeiro.

À luz destes crimes, somos Charlie, mas, em particular, somos europeus, porque os direitos constitucionais da nossa União foram afetados. Os acontecimentos destes
últimos dias, particularmente na Bélgica, provam que o terrorismo e a radicalização – que é uma das causas do mesmo – é um fenómeno que atravessa fronteiras. Devemos, portanto, refletir e agir de acordo com ambos os níveis, o europeu e o internacional.

Além da emoção profunda que eles desencadearam dentro de cada um de nós, estes eventos fazem-nos refletir sobre qual a nossa responsabilidade coletiva, bem como o nosso papel como representantes e partes interessadas da comunidade local, independentemente de que país somos.

A resposta policial e judicial dos Estados só será eficaz se for reforçada pela das cidades na área da prevenção e da integração. É, por conseguinte, nossa
responsabilidade assegurar que a luta contra o extremismo não se traduza na redução das liberdades fundamentais, no questionamento da prevenção, ou na divisão e separatismo das comunidades.

Agora, mais do que nunca, o Fórum Europeu tem um papel a desempenhar, a fim de apoiar as autoridades locais e regionais nas suas missões em matéria de prevenção, deteção da radicalização e ajuda à desradicalização.

Este fenómeno, que somente afeta diretamente um número limitado de pessoas, requer a criação de políticas estratégicas específicas. Longe de desviar a nossa atenção, as mesmas devem, pelo contrário, contribuir para reforçar as nossas políticas fundamentais e gerais de inclusão, prevenção e segurança.

Em primeiro lugar, como uma plataforma de diálogo e intercâmbio, o Efus deve permitir às partes interessadas locais – representantes eleitos e parceiros – partilhar perspetivas relativamente a situações sobre as quais possam sentir-se insuficientemente preparados para enfrentar.

Durante mais de 25 anos temos demonstrado que, independentemente das especificidades locais ou territoriais e das filiações políticas dos eleitos, não é apenas possível, mas também necessário trabalhar em conjunto.

Diversas vezes mantivemos a necessidade de políticas baseadas em evidências. É por isso que, há vários meses, o Efus tem vindo a trabalhar em cooperação com cidades europeias sobre as respostas a dar à prevenção da radicalização violenta. Nós ainda temos muito mais a aprender sobre esta questão.
No entanto, já há um grande número de estudos e pesquisas, bem como iniciativas, que têm sido bem sucedidas.

Aqui, eu reafirmo o compromisso e comprometimento do Efus para organizar intercâmbios e parcerias com as autoridades locais, a fim de lhes proporcionar os conhecimentos e práticas disponíveis.

A tarefa que agora nos espera é enorme, porque estamos diante de um grande desafio: fazer das nossas cidades fiadoras de convivência e liberdade de expressão. É trabalhando em conjunto que permitiremos a mobilização geral observada no mundo, e especialmente na Europa, para traduzir em ações concretas de segurança de cada cidadão e de reforço da coesão social.

Guilherme Pinto
Presidente do Efus (Fórum Europeu de Segurança Urbana)
Presidente da Câmara de Matosinhos